sábado, 31 de março de 2012

O dialeto Cockney

O termo Cockney surgiu há varios séculos. Os primeiros registros são do distante ano de 1368, e naquela época designava os nascidos na região leste de Londres (East End) – ao leste da City (centro de Londres): Whitechapel, Spialfields, Schoreditch, Limehouse, Bethnal Green, Hackney, Bow, Mile End e Aldgate, mais especificamente.

Já no século XVIII, o dialeto Cockney passou a ser amplamente falado e difundido entre os trabalhadores do principio da Revolução Industrial, para que os patrões (donos das fábricas) não soubessem o que estava sendo falado entre os empregados. Nesta época, outros distritos da cidade aderiram ao dialeto, como os ao sul do Thames: Bermondsey, Docklands, Peckham e London Bridge; e alguns mais ao norte – West Ham, Startford entre outros.

O Cockney é considerado um dialeto mas na prática trata-se apenas um jogo de vocabulário e rimas às vezes cômicas, mas quase sem sentido, que vai incorporando novas expressões e jogos de palavras para confundir os que não conhecem as tais girias. Mais recentemente (meados do século passado), o Cockney English foi absorvido por imigrantes caribenhos moradores do sul de Londres que eram perseguidos pela polícia, para que seus diálogos não fossem facilmente identificados pelas autoridades.

Entretanto, o Cockney influenciou também a cultura inglesa. Em músicas, livros e filmes por exemplo, o dialeto está presente: Stanley Kubrick em Clockwork Orange (Laranja Mecânica) de 1971, faz uso de vários vocábulos do Cockney; em algumas músicas de Adele também aparecem sinais do dialeto – a cantora é nascida no norte de Londres. Charlie Chaplin, nascido em Walworth (East London), também falava Cockney, porém não há sinais do dialeto em sua obra.

Hoje em dia adolescentes em geral têm suas próprias gírias (slangs, em inglês), muitas das quais inspiradas no antigo e no atual Cockney.

Alguns exemplos do Cockney English (antigos e atuais):

Adam and Eve: believe (acreditar)
Apples and pears: stairs (escadas)
Ayrton Senna: tenner (nota de £10)
Battle Cruiser: boozer (alcoolatra)
Bo peep: sleep (dormir)
Bob Hope: dope (qualquer droga ilícita)
Bread: money (dinheiro)
Brown bread: dead (morto)
Butcher’s hook: look (aparência)
Dog and bone: phone (telefone)
Gregory Peck: neck (pescoço)
Hampstead Heath: teeth (dentes)
Holy Ghost: toast (torrada)
Lady Godiva: fiver (nota de £5)
Mutt and Jeff: deaf (surdo)
Porky pies: lies (mentiras)
Rabbit and pork: talk (falar)
Steve McQueen’s: baked beans (feijão cozido)
Steffi Graf: laugh (rir)
Trouble and strife: wife (esposa)

Quem visita Londres talvez nem perceba se ouvir alguns desses termos como sendo uma gíria ou um truque linguístico. Só quem realmente fala o Cockney é que sabe o significado deste jogo de palavras.

Um comentário:

  1. Achei interessante essa questão do dialeto 'Cockney'. Onde posso encontrar escrito ou falado este dialeto, em vídeo ou coisa assim?

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